Operar com o nível de estoque ajustado à demanda do seu negócio deve ser sempre um dos focos principais. Mas existem situações em que um nível maior pode ser aceitável. O grande desafio é saber exatamente quando assumir o risco de elevar o estoque e como calcular se o custo da mercadoria parada compensa financeiramente.

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O estoque alto se justifica quando o custo da estocagem é menor do que as vantagens obtidas na negociação com o fornecedor. Nesse caso, é preciso calcular o valor dos benefícios adquiridos com o aumento dos prazos de pagamento, descontos e acordos comerciais concedidos devido ao aumento do volume de compra. Por exemplo: se seu negócio, ao comprar maior volume, consegue dez dias de prazo de pagamento além do normal, deve-se avaliar se o ganho ao destinar o dinheiro às aplicações financeiras será maior do que o custo do capital parado. O cálculo deve ser feito sempre em valores atualizados. Os compradores precisam ser treinados para compreender a situação e realizar uma simulação financeira antes de tomar a decisão de estocar além da demanda. No entanto, na maioria das empresas a rotina do setor de compras consome todo o tempo dos gestores e, como consequência, os compradores acabam não recebendo um treinamento adequado.

Outra análise que deve ser feita pelo supermercadista é o das perdas que podem ocorrer durante o período em que a mercadoria ficar estocada. Pode haver quebras por vencimento de data, manuseio ou furtos, entre outras situações. O fato de um produto ter baixo giro é outro complicador. Será que vale a pena estocá-lo em excesso? Por exemplo, um tipo de desodorante pode chegar a ficar quatro meses na gôndola, sem girar. Isso não é bom para seu negócio e se agrava com o tempo, porque o produto começa a perder suas características e a ter as embalagens danificadas, dificultando ainda mais o giro.

Trabalhar com estoques altos também pode se justificar em categorias nas quais o consumidor migra de loja quando não encontra o produto na prateleira. Nesses casos, a prática evita ruptura e perda de vendas. Em contrapartida, há uma série de outros produtos em que o cliente simplesmente troca de marca, o que pode não ser prejudicial ao varejo. O ideal é o supermercadista realizar uma pesquisa ou implementar um bom gerenciamento por categorias para conhecer aquelas nas quais ocorre migração para outros estabelecimentos. Assim, ele será mais assertivo na hora de definir o aumento do estoque.

Se, após fazer todas as contas e analisar todas as situações, o aumento do estoque se justificar, convém ainda ao varejista realizar um último questionamento: os estoques altos estão escondendo alguma ineficiência? Caso afirmativo, vale a pena rastrear onde elas estão e quais são suas causas. Uma vez solucionadas, é bem provável que o supermercadista consiga passar a operar com níveis mais adequados, o que é muito bom para a rentabilidade do negócio.

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Ofertas válidas somente para a data da publicação. Data: 2 de junho de 2015.